A cigarra, a formiga e o pré-sal
A fábula de Esopo, recontada por La Fontaine, relata a história da cigarra que passou todo o verão cantando, enquanto a formiga trabalhava para garantir alimento no inverno. Chegado o frio, a cigarra tentou tomar emprestado algum alimento à formiga, pois não se preparara no verão. A formiga interpelou-a: que fazias durante o verão, enquanto eu trabalhava? Cantava, respondeu a cigarra. Pois agora, dança. Respondeu.
Nesta expectativa do petróleo do pré-sal, o governo brasileiro está muito mais para cigarra do que para formiga. Esse petróleo que está a 6 mil metros de profundidade e a 300 Km do litoral, bem no fundo do mar, só vai sair de lá daqui a uns 10 anos, pois ainda não há tecnologia para explorá-lo. Em vez de arregaçar as mangas e pôr mãos à obra, o governo estimula o jogo de sobe-e-desce da bolsa de valores; governadores, prefeitos e ministros já disputam os royalties futuros e até os novos cargos de uma nova estatal a ser criada.
Quando o inverno vier, ou seja, quando a crise de energia, que já se esboça, bater à nossa porta, alguém vai dançar... Oxalá não sejamos nós, que fomos obrigados a passar o verão ouvindo o canto das cigarras.
Escrito por P. Ferreira às 16h38
[]
[envie esta mensagem]

|